11/11/2003

Cidade de Deus

Venho escrever novamente sobre cinema e desta vez impulsionado pelo meu caro colega MS.

O que me leva a "postar" é a edição em DVD do filme "Cidade de Deus". Este filme de Fernando Meireles já foi exibido nas salas de cinema em Portugal, e com bastante sucesso, e agora vai ser editado em terras lusas.

Esta película fala sobre a "evolução" (será que se pode usar esta palavra) da favela da Cidade de Deus. A fotografia é fantástica, o enredo, os actores e a realização. Segundo os últimos rumores será mesmo nomeado para os Óscares 2003, para melhor filme estrangeiro.

Deixo aqui alguns links para vos cativar...



Comprar: Edição Espanhola e Edição Brasileira

Site Oficial (em português)

Já agora, oiçam a banda-sonora que também vale a pena...


10/11/2003

Parabéns !

Depois deste "triste" incidente com o concerto dos Blur, os Blind Zero ganham o prémio regional para "Best Portuguese Act" da MTV.

É a primeira vez que a cadeia de TV norte-americana atribui um prémio a um grupo/artista português e eu como "seguidor" só posso estar contente.

Para trás fica uma cerimónia muito fraca... apresentada por Christina Aguilera (:|) e sem grande história... (para variar nas cerimónias de entrega Europeias)...

Quando ao resto... fica para outra altura...

Alberto Almeida/Câmara Oculta


(mais informações em MTV)

Fotografia gentilmente cedida por Alberto Almeida/Câmara Oculta

05/11/2003

Blind Zero não tocam hoje com os Blur

O concertos dos Blur, promovido pela agência Smog (não confundir com a banda com o mesmo nome), já há muito que estava anunciado sempre referindo o sexteto portuense como banda de abertura. Hoje os Blind Zero apresentaram um comunicado à comunicação social onde justificam o porquê de hoje mesmo terem optado não subir ao palco do Coliseu dos Recreios.

O comunicado segue-se na íntegra.

COMUNICADO

O grupo BLIND ZERO lamenta informar que, por razões alheias à banda, não irá realizar o concerto, hoje dia 5 de Novembro com a banda inglesa BLUR.

A razão prende-se com a coacção exercida pelos promotores do concerto, empresa Smog, no sentido de que a banda aceitasse abdicar do direito de autor que lhe são, pela realização desse mesmo espectáculo, devidos.

Os Blind Zero manifestam a sua total incredulidade, perante o facto de, com tal facilidade, se procurar negar aos artistas o que de mais inalienável decorre do seu direito autoral. E a sua mais completa perplexidade quando lhes é proposta uma quantia monetária a titulo de compensação "simbólica".

Não constituindo, infelizmente, caso único, não julgamos admissível tal situação, muito menos a 24 horas da realização do mesmo. Tanto mais que este espectáculo está a ser publicitado há várias semanas, com uso explicito (nomeadamente no cartaz do evento) do nome Blind Zero.

È com grande desgosto, que a banda vê toda esta situação, não só pelos motivos atrás descritos, mas também, pelo imenso prazer que teria em tocar com os Blur.

- Fim de citação -

Pianistas (não) há muitos

Penso que é a primeira vez que vou escrever sobre cinema... Confesso que não sou crítico de cinema nem disponho de um background vasto para poder opinar de forma lúcida sobre o assunto.
Acabei de chegar de mais uma sessão de cinema do ISEP|Cultura (e desde já saúdo a Doutora Teresa Tudela pela persistência e trabalho que tem desempenhado ao longo destes anos), o filme desta terça foi um filme que para mim era totalmente desconhecido mas também é um facto que não devemos limitar-nos aos filmes que a máquina de Holywood anuncia nos autocarros, nas revistas, nos jornais, nas paragens, nas rádios (inclusivé públicas), nas televisões, na Internet e no que estiver para aparecer. "O Pianista", a realização de Roman Polanski que lhe valeu uma Palma de Ouro no festival de Cannes, está longe de ser um filme Holywoodesco ou uma história com um final feliz.
Basicamente temos o olhar de um pianista Polaco (e Judeu) que se vê confrontado com a invasão Nazi. A principal diferença para outros títulos com a mesma temática é que este pianista de nome Wladyslaw Szpilman existiu e a visão do filme é a visão que este pianista deixou imortalizada no livro com o mesmo nome que o filme (http://www.uk-fusion.com/books/the_pianist.html) com alguns toques da vivência do próprio realizador (descritos no booklet disponibilizado à entrada do auditório, como aliás tem vindo a ser costume).
Numa primeira fase temos a família e as fugas em conjunto, numa segunda fase é o desespero, a solidão, os instintos mais selvagens do ser numa tentativa desesperada de sobrevivência... As fugas, os abrigos, a fome e a vontade de tocar piano que se volta a concretizar quando, num local já totalmente arrasado, um soldado Nazi o encontra. O soldado rende-se aos encantos da música e dá-lhe uma oportunidade para se esconder. Algum tempo depois, após a chegada soviética, o mesmo soldado implora a um dos ex-prisioneiros Judeus que encontre o pianista e que este tente conceder-lhe a mesma oportunidade de viver que ele lhe concedeu. Mereceria? Não teria estado na origem de imensos terrores? Durante o filme fiquei a pensar nisto... O primeiro impacto é de pena mas não se pode fazer uma análise pela parte. Teria de haver um filme baseado na vida daquele militar para perceber quem ele era.

Poderão ser encontradas semelhanças com filmes como A Lista de Schindler ou mesmo A Vida é Bela mas a forma mais radical e crua representada em O Pianista acabam por lhe conferir um lado talvez mais realista. Chocou-me sobretudo o desespero pela sobrevivência, as fugas, a tentativa de obter coisas tão básicas como água e comida e o desespero maior de ter uma lata de comida e não ter como a abrir... Confesso que me marcou.

Mais sobre o ISEP|Cultura em http://www.isep.ipp.pt/cultura/

04/11/2003

In Her Space "No Body Needed"



"Claps removed for listener's pleasure" é a frase inscrita no interior de "No Body Needed", o disco de estreia dos In Her Space. Gravado ao vivo no Teatro Taborda em 2002 serve para demonstrar, da melhor maneira, todo o potencial que esta banda tem, sobretudo em cima do palco.

Verdade seja dita que não são escritores de canções, no formato clássico de rádio com um refrão orelhudo, mas tem composições bem estruturadas dentro de uma estética planante, "à la" Radiohead ou Sigur Rós. Quem ouve este disco tem também a sensação de "deja vú", sobretudo devido às influências, o bicho papão da música moderna. Mas não atrapalham, ou não deviam atrapalhar, na opinião sobre os In Her Space.

Quando se ouve "Demons in Cars" ou "Careless Whisper" (sim, a música que George Michael popularizou nos Wham!) tem-se a noção que existem boas direcções para um caminho longo e sinuoso mas positivo.

Critica escrita para a Mondo Bizarre.

Houdini Blues "Extravanganza"



"Extravanganza" é o título do mais recente trabalho dos alentejanos Houdini Blues. Como é explicado no interior do disco "Extravanganza" quer dizer "capricho literário, musical ou dramático" ou "composição fantástica". Não acredito que este quinteto tenha "a mania das grandezas" em relação ao seu trabalho mas antes a ousadia de dar mais um passo em frente depois da estreia com "True Life is Elsewhere". Arriscam a edição de autor e muito bem sobretudo devido a temas como "Tragic Queen" (onde Armando Teixeira deu uma mãozinha na produção), "Lobo Bom" (as composições em português destacam-se) ou "...Entre Ses Doigts" (uma música que respira Pop Dell' Arte). O ponto negativo desta aventura é a falta de meios técnicos para uma melhor gravação.

Ouvindo os dois álbuns de Houdini Blues, de seguida, sente-se a evolução de uma banda rock sem preconceitos e que faz com que o vento sopre tanto para o lado mais árido, quer para o lado mais verde de um vale ou planicíe.

Visitem a página oficial dos Houdini Blues.

Critica escrita para a Mondo Bizarre.

28/10/2003

O Homem na Cidade...

Com algum atraso mas não podia deixar de postar aqui o meus sinceros parabéns e enorme apreço pelo artista que é Carlos do Carmo.

É daqueles cantores que me faz arrepiar cada vez que o oiço interpretar alguma canção.

E acho que tem sido coerente ao longo de 40 anos de carreira, que os celebrou no Coliseu dos Recreios em dois concertos únicos.

Parabéns Sr. Carlos do Carmo ! Parabéns !



p.s. afinal existe página oficial... www.carlosdocarmo.com (mas fica a nota que nos motores de busca não aparece...)

22/10/2003

Abaixo de Zero...

Foi assim que Jorge Palma disse que se iam chamar os Blind Zero se fossem a banda suporte dele na próxima digressão...

Ontem à noite, os Blind Zero encheram o palco do auditório A da Antena 3 em mais um concerto promovido pela "Portugália" de Henrique Amaro.

O concerto centrou-se 99% em temas do novo disco "A Way to Bleed Your Lover" demonstrando que ao vivo as canções do grupo liderado por Miguel Guedes tem outra força... outra energia...

Confesso que o disco parece-me demasiado de estúdio com um papel muito importante do produtor Mário Barreiros, não querendo isto dizer que não goste. A sonoridade tipicamente "deserta" com referência claras a Elvis Presley ou Springsteen transporta-os para outro plano, que curiosamente está bastante na moda.

O concerto durou pouco mais de 1 hora, devido aos horários de rádio, e terminou com os belos momentos "Sad Empire" com Miguel Guedes a ser acompanhado pelo teclado de Miguel Ferreira, os dois sós em palco... e "Another One" para mim a grande canção do álbum "One Silent Accident".

Fica aqui a nota positiva também para a digressão intitulada "Tour de Force" que termina por pequenos bares, clubes e discotecas...

Podem ler os comentários dos próprios BZ no Blog da Digressão.

18/10/2003

Belo início de fim-de-semana

Bem, desta vez vou ser explicitamente subjectivo e falar de algo que me agradou particularmente. Acabei de chegar do Blá Blá, onde Old Jerusalem e Bonnie 'Prince' Billy se apresentaram ao vivo. Ambos os projectos subiram ao palco com dois músicos e ambos contaram com um ou outro tema "a solo".

Cabos (dos trabalhos)
Francisco começou da pior forma; a sua guitarra teimava em não dar som cá para fora. Aqui notou-se claramente a falta de roadies e técnicos para resolver o problema com a maior brevidade possível e sem aspectos que se podem considerar de alguma imaturidade.
Depois de resolvidos os problemas, a dupla Old Jerusalem acabou por brilhar, com o público do seu lado. Nestas coisas há sempre o risco da primeira banda, sobretudo sendo portuguesa, ser quase que "despachada" pela audiência, o que não foi o caso e os temas de April e do split-CD com os Alla Pollaca serviram de petisco para a "jantarada" que estava para vir.
Contrariamente a concertos anteriores, Francisco e Miguel optaram por usar apenas guitarras como base musical, deixando de lado a caixa de ritmos que usaram nos seus primeiros concertos.

Simplicidade = beleza
Há uns anos atrás o motor de pesquisa Altavista dizia que simplicidade era beleza. Não podia estar mais de acordo no que toca a Will Oldham. Nem o facto de ser um dos nomes mais importantes do mundo na onda "new country" / "americana" faz com que este song-writer crie qualquer tipo de distâncias com o público. A forma como olhava os presentes, logo nos primeiros temas, revelava uma simplicidade e proximidade pouco usual em artistas deste nível. Contudo a interacção com o público não foi abundante (três breves momentos).
Para uma pessoa que não é definitivamente daquele meio e que pouco dormiu, como era o meu caso, o número de canções acaba por se tornar excessivo mas isso não tira qualquer tipo de magia ao espectáculo.
Um momento curioso foi a dedicatória de um dos seus temas à dupla que abriu a noite.
Durante metade (ou mais) do concerto, um ruído irritante persistia no som... Só já num estado avançado da actuação é que são desligadas as luzes que estavam a provocar aquele conflito de frequências (não, não vou entrar no campo da Física para explicar o fenómeno, até porque corro o risco de cometer alguns erros).

Old 'Prince' Billy
Não é difícil encontrar pontos de contacto entre os dois projectos... Estilos musicais, forma de olhar para a plateia (e ambos fazem expressões de cara dignas de registo), número de elementos em palco são apenas alguns dos aspectos comuns, que talvez sejam justificáveis pelo facto de Francisco (o mentor dos Old Jerusalem) assumir a influência de Oldham nos temas que compõe.
Concertos assim dão gosto e valem bem mais do que os 11,00EUR pedidos pelo bilhete.

Resta-me dar os parabéns à co-organização MICE e "O Rouco" pela coragem que tiveram em investir neste concerto. Mais eventos destes um pouco por todo o país precisam-se.

10/10/2003

Prémios MTVE Portugal - os nomeados são...

David Fonseca
Blind Zero
Primitive Reason
Fonzie
Blasted Mechanism

Foram finalmente anunciados e ao contrário do que algumas pessoas pensavam o voto não foi para artistas da música ligeira... só pesos pesados...

Agora e até dia 6 de Novembro (que vontade que tenho de lá estar) podem votar por aqui e podem saber todas as informações no site oficial da MTV.