08/03/2004

Fecha-se mais um ciclo...

Escrever sobre rádio nem sempre é fácil, sobretudo em alturas como esta. A rádio portuguesa está a um passo de ficar mais pobre com o desligar da emissão da VOXX (que teve esta madrugada a sua última linha aberta e onde as últimas palavras do animador foram: "até um dia destes").
A VOXX não era uma rádio para audiências e não cumpria as quotas de rádio existentes. A meu ver justificava-se totalmente o estatuto de rádio temática, à semelhança do que acontece com a RDP Antena 2 porque o carácter alternativo que a VOXX sempre teve não era conciliável com 40% de música criada por portugueses (que, efectivamente, se trata de música com o carimbo de editoras portuguesas).
Dizer que era ouvinte regular da VOXX é falso mas até gostava de passar os ouvidos por lá de tempos a tempos, por isso o encerramento da rádio não me passa indiferente, tal como não foi indiferente o fim da XFM e da Rádio Energia/FM Radical. Compreendo as razões que levam um empresário a vender as suas rádios, não compreendo é que vendam às cegas.
Ainda esta noite, enquanto ouvia a linha aberta da VOXX, pensava nas mudanças que ocorreram nos últimos anos nas rádios portuenses:
Nos 90.0FM tivémos Rádio Energia/FM Radical (dirigida por Luís Montêz e propriedade da Lusomundo), que fechou, andou à deriva e depois passou a VOXX. A VOXX está condenada a transformar-se dentro de pouco tempo e não se sabe por quanto tempo em retransmissor Media Capital.
Os 90.6FM, que me lembre, abriram como rádio local para um público mais jovem (partilharam o apoio das Noites Ritual Rock com a RDP Antena 1 durante dois anos, os únicos em que foi possível ver o evento com a merecida atenção na rádio, com emissões especiais, transmissão de concertos, etc.), antes de ir para a Escócia sabia que a rádio estava em vias de encerrar mas quando cheguei ainda vi no RDS o nome NFMPORTO e sosseguei porque, afinal, o Porto ainda tinha uma rádio para massas minimamente aceitável. Passados poucos meses iniciaram-se nessa frequência as emissões experimentais de um canal do grupo Renascença, a Mega FM Porto. Foi um retrocesso. Se em termos de rádio pouco se notou de diferente (a não ser os animadores acelerados e histéricos, que até têm vindo a acalmar e a melhorar), notou-se muito na cobertura de eventos da cidade.
Os 105.8FM são o habitat natural da esquizofrenia Media Capital. A frequência que em tempos pertenceu a uma rádio local de Valongo passou para as mãos da Lusomundo que tratou de a usar (e muito bem) para retransmitir o sinal da XFM (também sob o comando de Luís Montêz). Nessa altura o grupo Lusomundo era líder indiscutível de audiências no Porto com o público mais adulto na TSF, um público mais eclético e curioso por ouvir coisas novas na XFM e o público mais novo e mainstream na Rádio Energia, posteriormente rebaptizada de FM Radical. Mas voltando aos 105.8... Depois da XFM a frequência passou por momentos inexplicáveis: ora não emitia nada, ora emitia programas daquelas "religiões" que todos conhecemos, ora deixava de emitir novamente, ora emitia rádio local... Até que a Media Capital opta por adquirir a frequência, sem nunca ter tido um plano concreto para ela. Mix FM, Continental FM, Best Rock FM são sinais que se podem ir ouvindo por ali, de acordo com a vontade de alguém que está confortavelmente sentado no seu gabinete em Lisboa e desconhece a realidade local.
Pode-se ainda falar dos 98.9FM, até há pouco mais de um ano totalmente detida Sonae. Actualmente a frequência está nas mãos da Sonae e do Eng. Luís Montêz, o mesmo que esteve na Energia/FM Radical, na XFM e no relançamento da Rádio Comercial em 1997. Mais um exemplo de transferência parcial do poder para Lisboa, para uma realidade distante, para um gabinete de Lisboa.
Não é preciso fazer muitos cálculos para se concluir que o Porto, mais do que qualquer outra região do país, vive totalmente dependente da vontade das empresas públicas e dos grupos financeiros sediados em Lisboa no que toca a rádios. A venda e desaparecimento da VOXX confirmam isso mesmo.
A "estória" da "morte aos mouros" do mundo futebolístico representaria a criação de um enorme vazio em termos de meios de comunicação no Porto. Onde está, Porto e portuenses, a nossa identidade?

05/03/2004

Na sombra nunca...

Quando estou mais lixado da tola faço uma coisa que normalmente me arrependo sempre. Não pelo que faço mas pelo $ que gasto.

Falo do Ebay e das coisas magnificas que se encontram por lá...

Nesta altura estou como comprador de um CD do caríssimo DJ Shadow (que já vinha a Portugal pois da outra vez não consegui) intitulado "Product Placement".

Eu já tenho isto em MP3 mas eu sou bicho velho e gosto de ter o disco original, que ainda por cima é uma edição limitada.

São estas aquelas coisas que me fazem sorrir novamente e olhar em frente... a paixão pela música nunca morre !

Mato-me

Fui buscar a música dos Rage Against The Machine "Killing In The Name" pois expressa um bocado aquilo que sinto.

Recentemente trouxe para casa o último registo ao vivo deste colectivo entretanto já falecido e voltei a ter 14 anos. Lembro-me de ouvir isto em casa do meu melhor amigo e de achar "inovador".

Nesta altura é só para partilhar com vocês a letra pois é um pouco como me sinto:

Rage Against The Machine
Killing In The Name


Killing in the name of!
Some of those that were forces are the same that bore crosses
Some of those that were forces are the same that bore crosses
Some of those that were forces are the same that bore crosses
Some of those that were forces are the same that bore crosses
Huh!

Killing in the name of!
Killing in the name of

And now you do what they told ya ’11 times’
But now you do what they told ya
Well now you do what they told ya

Those who died are justified’ for wearing the badge’ they’re the chosen whites
You justify those that died by wearing the badge’ they’re the chosen whites
Those who died are justified’ for wearing the badge’ they’re the chosen whites
You justify those that died by wearing the badge’ they’re the chosen whites

Some of those that were forces are the same that bore crosses
Some of those that were forces are the same that bore crosses
Some of those that were forces are the same that bore crosses
Some of those that were forces are the same that bore crosses
Uggh!

Killing in the name of!
Killing in the name of

And now you do what they told ya ’4 times’
And now you do what they told ya’ now you’re under control ’ 7 times’
And now you do what they told ya!

Those who died are justified’ for wearing the badge’ they’re the chosen whites
You justify those that died by wearing the badge’ they’re the chosen whites
Those who died are justified’ for wearing the badge’ they’re the chosen whites
You justify those that died by wearing the badge’ they’re the chosen whites
Come on!

’Guitar solo: ’Yeah! Come on!’’

Fuck you’ I won’t do what you tell me ’8 times spoken becoming a shout by the 8th time’
Fuck you’ I won’t do what you tell me! ’8 times’ shouted’
Motherfucker!
Uggh!

03/03/2004

O outro lado da versão...

Este é o título de um disco português mas que agora não me lembro de quem... creio que do Kilu... mas isso não interessa agora !

Aquilo que me fez escrever este post foi ao ouvir a versão de "Cry Me a River" (original do Justin Timberlake) pelos Lost Prophets. Para quem conhece esta banda sabe que são meninos do rock, vulgo nu-metal, e que são um pouco fracos mas vão ser grandes. Disso tenho poucas dúvidas...

E sempre tive um gosto especial por versões... das mais loucas às mais sérias...

Agora, sem pensar muito, recordo-me dos Cool Hipnoise com "Come As You Are" (nunca editado) ou dos Irmãos Catita com "Fever". Podia aqui citar mil exemplos, e hei-de fazer, mas agora foi mesmo só para deixar uma nota.

02/03/2004

Lindas, Sensuais e Deliciosas...

Estas três palavras podiam ser a descrição para muitas das canções da minha vida. E são algumas...

Desde cedo me deixei embrenhar pela música ao ouvir as óperas da minha avó no Largo do Rato, os sambas de Chico Buarque e Elis Regina ou a psicadélia dos Beatles.

O título deste post é a reunião das minhas memórias, faltando apenas o assustadoras quando penso no Verdi ou no Chopin.

Mas este post serve para marcar alguns acontecimentos:

- a vinda de Paul McCartney a Portugal
- o aniversário da ida dos Beatles aos EUA
- o carnaval brasileiro
- os (novos) sambas vindos do Brasil

A paixão pelos Beatles é antiga e as primeiras recordações ligadas à rádio foi quando tinha apenas 15 anos e fiz várias emissões piratas para amigas ao som dos discos dos "fab four". Temas como "I Wanna Hold Your Hand" ou "Love Me Do" faziam as delicias de tardes agarrados à aparelhagem a imaginar que elas ouviam, coisa que raramente acontecia. As canções de McCartney e Lennon ficaram para sempre gravadas na memória e sei cantar a grande maioria de trás para a frente.

Quanto ao Brasil a história tem um começo anterior, quando os discos que os meus pais compravam começaram a ser ouvidos nas manhãs e tardes dos fins-de-semana. Quando a Maria Bethânia, o Ney Matogrosso, Chico Buarque ou Elis Regina ocupavam a casa com um português doce e quente. E a vontade de saber um pouco mais sobre aquela música continuo...

Isto tudo serve para dizer que espero conseguir estar presente no 1º dia do Rock in Rio - Lisboa para assistir ao espectáculo de 3 horas de 1/4 dos Beatles pois não acredito que vá ter outra oportunidade igual.

E quanto ao Brasil, nos últimos anos tenho descoberto alguns nomes importantes da cena actual como Otto, Chico Science, O Rappa, Los Hermanos ou Instituto. E que o calor continua a fazer-se sentir bem forte. Tão forte que espero conseguir visitar este ano o país do samba...

Espero em breve conseguir deixar aqui textos mais concretos sobre alguns discos e artistas.

25/02/2004

Octet ... fixem este nome !

Nos ultimos tempos com a entrega de alguns textos para a Mondo Bizarre e para a DIF, tenho dedicado um tempo extra para ouvir uns discos novos.

Como tenho uma forte ligacão com a cultura francofona, direcciono muitas das minhas baterias anti-areas para lá.
Recentemente descobri uma dupla que dá pelo nome de:

OCTET

Vão editar o disco de estreia no dia 22 de Março e tem ja alguns singles e maxis soltos por aí. Casos de "Hey Bonus" ou "Still". Estes artistas movem-se nas areias sempre movediças das novas tendencias da musica de dança e com uma qualidade que ja tinha saudades.

Ritmos sincopados, boas vocalizações e ambientes assustadores... para se ouvir principalmente à noite num clube.

Vale a pena usarem um pouco do vosso tempo e ouvirem (com atenção!) algumas destas musicas. Por isso cliquem aqui: "Funghi" e "Still".



Já agora, Sporto Kantes preparam-se para editar o 2ºvolume das aventuras... fiquem atentos !

Onde (não) anda o D-Mars ?

Este post surge depois de uma breve conversa com o meu caro Carlos Cardoso depois de muito se brincar com a figura de Pharrel Williams (NERD e Neptunes).

O D-Mars é um dos elementos dos Micro e agora também de Mentes Conscientes. Os Micro foram dos primeiros a editarem um trabalho em edição de autor de seu nome "Microestática" (que será reeditado em breve com temas bónus). Entretanto já editou mais um longa duração e um EP com a ajuda de Sagas e DJ Assasino.

No ano passado, seguindo uma linha diferente editou um duplo-álbum com o título "Filho da Selva" mais direccionado para os clubes.

Agora chega a vez de Mentes Conscientes, onde D-Mars e Sagas se aventuram num novo disco, sem o DJ de serviço dos Micro, em Londres.

E perguntamos nós, onde não anda o D-Mars ?

Clica para ouvires o single de estreia:
.

24/02/2004

Férias...

Daqui a sensivelmente um mês estarei a viajar até à cidade-luz para descansar e, como sempre, para ir ver alguns concertos.

Obviamente que se podesse estaria sempre em Londres ou Paris, pois a quantidade e qualidade dos concertos é inacreditável. Da última vez que conversava com o amigo Álvaro Costa, ele confirmava isso mesmo. Se não vejam... quando fui passar um fim de semana a Londres em 3 dias poderia escolher entre: Martina Topley-Bird, Bob Dylan, Black Eyed Peas, Ojos de Brujo, The Cooper Temple Clause ou Kylie Minogue, só para citar alguns.

Mas adiante... agora começo a olhar para o «Les Inrockuptibles» de outra maneira e a fazer contactos para assistir a concertos únicos.

Já tenho confirmada a minha presença em actuações de:

- Daedelus (músico norte-americano que se aproxima do trabalho de DJ Shadow)
- Einsturzende Neubaten (palavras para quê...)
- Trio Mocóto e Seu Jorge (veteranos do samba... vai ser só dançar)
- Le Tigre (a última confirmação...)

E mais algumas visitas a lojas de discos e concertos gratuitos...

Mas imaginem só o que vou perder.... concertos de Franz Ferdinand, NERD, Asian Dub Foundation ou Divine Comedy. Há justiça no Mundo ?

23/02/2004

Cody ChesnuTT

Estou nesta altura a transcrever uma entrevista que fiz aqui há alguns meses com o senhor ChesnuTT. Para quem não sabe é o homem responsável pela música "The Seed" que os The Roots regravaram e com muito sucesso.

O senhor Cody é um homem de fé... muita fé ! Foi essa a maior observação que fiz de toda a conversa que tive com ele (que durou cerca de 40 minutos).

O que interessa saber em termos sonoros é que ele gravou um disco duplo no seu quarto intitulado "The Headphone Marterpiece". Um disco cru, cheio de pequenos grandes momentos e de uma energia imparável. Resumidamente, imaginem aquilo que é denominado como uma maquete mas muito melhor no conteúdo que a maioria dos discos que se ouvem no estilo.

E o estilo é... rock, funk, blues, pop, hip hop, soul, jazz, etc...

Tentem descobrir o rapaz...


Site oficial: www.codychesnutt.com.

17/02/2004

Confesso !

Estava no ano de 98 e durante as muitas horas que passava a ouvir discos, dei de caras com um disco (e uma canção) que me deixou de ouvidos bem abertos.

Era um disco do ano anterior e dava pelo nome de "S.C.I.E.N.C.E." de uma banda californiana de seu nome Incubus. Já tinha ouvido alguns temas destes meninos que misturavam rock pesado com funk e electrónica. A canção pela qual me apaixonei tem o nome de "Summer Romance (Anti-Gravity Love Song)" e continua a marcar-me como da 1ª vez.

Anos mais tarde, durante as várias horas que passava atrás de um balcão das melhores lojas de discos da altura em Portugal, mostrei o tema e o disco a muitos clientes.

Actualmente são das bandas mais conhecidas e odiadas do Mundo. Sobretudo devido ao hype que o "nu-metal" teve.

Entretanto durante esta noite pude falar (pela 4x se não me engano) com mais um elemento da banda sobre o novo disco "A Crow Left of the Murder".

O disco ainda não interiorizei mas confesso... não consigo achar mau.

Entretanto só vos posso dizer para descobrirem a canção de amor "Summer Romance".


Site oficial: www.enjoyincubus.com.