06/02/2012

Uma Estratégia para a Antena 3

Introdução

Ao longo dos seus 18 anos de existência, é incontestável o contributo da Antena 3, na qualidade de canal
jovem de serviço público de radiodifusão, para o aparecimento e consolidação de uma nova geração de
criadores musicais portugueses e, simultaneamente, no apoio às mais diferentes áreas do talento e criatividade
nacionais. Este contributo confere à Antena 3 a credibilidade e prestígio reconhecidos pela
generalidade dos músicos e artistas portugueses, bem como, e acima de tudo, por parte dos ouvintes
da estação.
Este apoio à cultura e língua portuguesas não significou, no entanto, que a Antena 3 atribuísse menos
atenção à divulgação do que de melhor se foi produzindo no panorama internacional. Pelo contrário,
nunca deixou de acompanhar os fenómenos que marcam a cultura pop mais mainstream e apostou sempre,
como decorre do próprio contrato de concessão de serviço público, na difusão das novas tendências,
servindo públicos minoritários e específicos, quase sempre esquecidos pelas rádios nacionais privadas.
Essa é a vocação natural da Antena 3, reconhecida e defendida por todas as suas direções ao
longo dos anos.
Contudo, recentemente, com a apresentação em 2011 do controverso relatório sobre o serviço público
de rádio e televisão, elaborado pelo grupo de estudo presidido pelo Prof. João Duque, esta identidade e
património histórico da Antena 3 foram postos em causa pelo conjunto de recomendações defendidas,
que propõem para o serviço público a extinção de um dos canais generalistas, com a manutenção de um
canal dedicado à música e cultura eruditas (a Antena 2) e a criação de um canal predominantemente
consagrado à música e cultura portuguesas.

Dez temas para pensar a rádio jovem de serviço público.

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É com grande preocupação que os profissionais da Antena 3 assistem a estes ataques sucessivos ao
papel estruturante que o serviço púbico desempenha no meio rádio, nomeadamente quanto ao papel
essencial que a Antena 3 assegura, de uma forma abrangente e eclética, na divulgação de toda a música
nova de qualidade, seja ela nacional ou estrangeira.
Nesse sentido, é para nós urgente e indispensável tornar evidente na sociedade portuguesa a relevância
de um canal de rádio jovem no âmbito do serviço público de comunicação, fixando as características
fundamentais que desde o início orientaram a política editorial e os conteúdos oferecidos pela Antena
3, anteriormente referidos. Tal como acontece nos restantes países europeus e do mundo ocidental,
com quem seguramente nos queremos comparar, compete ao serviço público de rádio garantir a pluralidade
e diversidade das ofertas cultural e musical, nomeadamente na atenção dispensada a públicos
minoritários, sem os constrangimentos e limitações criativas que resultam da constante procura de
lucros e audiências por parte dos canais privados. É a Antena 3 que aposta e assume os riscos de divulgar
toda a música nova, das mais diferentes áreas, fornecendo a matéria-prima aos restantes canais nacionais
privados para que estes elaborem as suas playlists. Em certa medida, as rádios privadas constroem a
sua realidade recorrendo apenas a um presente que circula na espuma dos dias, por oposição ao serviço
público que trabalha para assegurar uma memória ao mesmo tempo que perspetiva um futuro.
Estamos seguros de que, ao contrário do que infelizmente temos vindo a assistir com a progressiva diminuição
das audiências da 3, a aposta numa rádio que assuma sem receios o seu papel de divulgador
por excelência do que de melhor se faz na cultura jovem, urbana e contemporânea, nacional e internacional,
iria posicionar a estação numa audiência entre os 3% e os 4%. Acima de tudo, restituiria à Antena
3 a credibilidade e a relevância entretanto enfraquecidas, que a transformaram no alvo fácil de todos
aqueles que pretendem desmantelar o serviço público de radiodifusão em Portugal.
Por tudo isto, sentimos que é nossa obrigação, como trabalhadores da Antena 3, contribuir para um
debate alargado em torno da influência fundamental de serviço público de rádio.
Aqui ficam, por isso, dez ideias-chave que, estamos seguros, ajudam a definir os princípios orientadores
de um canal jovem de serviço público de rádio.

Conceitos e Princípios

1 - Representar e divulgar a cultura e a língua do país ao mundo e o que se passa no mundo ao país. Portugal
deve estar culturalmente aberto ao resto do mundo e, numa perspetiva editorial, as ações relevantes
a empreender devem fazer parte da programação da rádio;

2 - A nova música portuguesa deve ser, predominantemente, o motor de divulgação do serviço público
prestado pela Antena 3, cumprindo uma quota de airplay de pelo menos 50%.
O caminho a seguir deve ser, portanto, continuar a trabalhar na divulgação de grupos e artistas portugueses,
os quais constituem a essência da música portuguesa que fundamenta a Antena 3. Exemplos
paradigmáticos desta ideia são os casos de sucesso do renascimento dos Xutos e Pontapés, e o trabalho
realizado com os Da Weasel, Deolinda e Noiserv;

3 - Num mercado nacional de radiodifusão muito formatado e segmentado, em que se tende a apresentar
ao ouvinte o que é consensual na cultura de massas ou então para um nicho particular, a Antena 3 deve
ser o veículo privilegiado da divulgação da música nova, independentemente da origem, género ou
estilo, abordando áreas diversas com legitimidade e credibilidade, não se limitando a seguir as tendências
do mercado;

4 - Além da música portuguesa, a Antena 3 deve apostar e incentivar o novo talento nacional. Um trabalho
que se deve alargar pelos mais variados setores culturais, do cinema à literatura, do teatro às
artes plásticas, dando voz a uma nova cultura urbana e contemporânea em que os seus protagonistas
encontram um espaço privilegiado;
5 - Reconhecer a diversidade de mais-valias que constituem os recursos humanos da Antena 3, sendo
a sua credibilidade, conhecimento e capacidade de trabalho elementos que devem ser aproveitados
e maximizados pela estrutura do grupo RTP. Os programas de divulgação musical devem assumir-se
como a locomotiva que assume o serviço público como missão, isentos das prerrogativas e exigências
do mercado.
Distinguimo-nos assim dos privados, da maximização das audiências, do depauperamento da comunicação
relevante no universo da rádio;

6 - O papel de informação na Antena 3, não negligenciando a atualidade das notícias, deve também dedicar
particular atenção a outras temáticas alternativas que saem do enquadramento e das exigências da
agenda mediática. Como exemplos a considerar, podemos referir a ciência, a tecnologia, a ecologia, o
mundo universitário, a investigação, o domínio das artes e a cidadania;

7 - Potenciar a presença da Antena 3 nas plataformas digitais, não só como reflexo dos conteúdos introduzidos
para a emissão em FM, mas também procurando responder às oportunidades criadas pelos
canais online, com produção específica, aproveitando a credibilidade e conhecimento dos recursos
humanos da estação. Nas plataformas digitais, a Antena 3 deve assumir uma linguagem inovadora e
diferenciada, como referencial de qualidade para todos aqueles que percorrem a imensa oferta musical
e cultural disponível na Internet;

8 - A Antena 3 é a rádio que apoia e divulga os principais eventos que apostam na divulgação artística de
qualidade, nacional e internacional, desde as áreas próximas do mainstream às correntes mais alternativas
que não encontram espaço nas restantes rádios nacionais privadas.
Neste sentido, a experiência e legitimidade acumuladas ao longo da sua história confirmam a importância
da Antena 3 como veículo excecional para a divulgação de eventos, promovendo a descentralização
cultural;

9 - A Antena 3 como laboratório de ideias de programação, estimulando novos projetos dos seus profissionais
e assumindo-se como catalisador na descoberta de talentos, procurando ser o espelho criativo
do tempo presente, sem descurar a memória como elemento crucial para compreender o presente e
desenhar as tendências futuras.
Neste âmbito, também o extraordinário arquivo sonoro criado pela Antena 3 deve ser potenciado na
promoção e divulgação das mais diversas formas da nossa cultura;

10 - Promover uma programação que vá ao encontro do seu público-alvo (20-45 anos), na multiplicidade
de propostas culturais e musicais, valorizando a educação e o conhecimento, acompanhando as novas
tendências da cultura urbana. Nesta proposta, e para que tenha relevância no seu target, o intervalo de
audiência deve situar-se entre os 3% e os 4% de AAV.

19/01/2012

Recordações do distante ano de 2011

Quando terminou o ano lembrei de fazer um top, inspirado pelas diversas listas que aparecem na imprensa escrita (mesmo antes de terminar o ano) e pelos media digitais. Pensei e decidi fazer algo mais próximos daquilo que eu gosto e da realidade com que me debato.

Por isso apresento aqui uma lista de canções que alguns convidados trouxeram desde o distante ano de 2011. São recordações. Não é um top. É aquilo que guardamos na memória. E neste caso partilhamos.

Stray (Monster Jixx)

Hudson Mohawke - "Thunder Bay"

The Weeknd - "Trust Issues" (Remix)


Kimya Dawson -" Walk Like Thunder"


Clams Casino - "Numb"


Mr. Muthafuckin eXquire ft. Despot, Das Racist, Danny Brown & EL-P - "Huzzah!"(Remix)


Mushug (Octa Push)

Africa Hitech - Out in The Streets
Gil Scott Heron & Jamie XX - I'll Take Care of U
Panda Bear - Last Night At The Jetty
Rustie - Hover Traps
Valete/Orelha Negra - Melhor rima de sempre
 

Sun Glitters

1. Burial - Stolen Dog
2. How To Dress Well – Suicide Dream 2 (Holy Other Remix)
3. Purity Ring – Belispeak
4. Clams Casino - All I Need [Soulja Boy]
5. Gold Panda – An Iceberg Hurled Northward Through Clouds
 

Sir Scratch

Tyler the Creator-Yonkers
Evidence-You
The Throne-Niggas in Paris 
Sergio Godinho-Acesso Bloqueado
Expensive Soul- O Amor é Magico 

19/09/2011

TV

Quem me conhece sabe o meu interesse por televisão. E nos últimos anos o facto de trabalhar na RTP e conhecer imensa gente ligada aos vários aspectos da produção de um programa deu-me cartas para pensar para além dos meus conhecimentos enquanto espectador.

Mas a verdade é que cada vez tenho menos paciência para programas de televisão. E desculpem que diga, se for nacional pior!

Adoro ver programas de comida (Bourdain, Bizarre Food, Hell Kitchen, MasterChef Australia) mas quando fazemos algo do género em Portugal ou eu não gosto do resultado ou dão em horários que eu não consigo ver e que me esqueço de gravar.

Para além deste género de programas, apenas gasto horas a ver desporto. Sobretudo futebol (liga inglesa, espanhola, italiana, alemã) e ainda baseball ou curling...

E descobri um canal intitulado Fuel TV que está muito ligado a desportos radicais que tem programas fantásticos.

Sou um espectador complicado e cada vez mais selectivo naquilo que gasto 30 ou 40 minutos por dia pois são minutos importantes para outras tarefas.

13/09/2011

Campeões!


Começa daqui a minutos a nova temporada da UEFA Champions League e mesmo sem o meu Sporting é a competição de futebol que gosto de acompanhar. Basicamente e sinceramente para mim é o lugar para assistir a grandes jogos de futebol.

Nos últimos anos faço parte da liga fantástica da UEFA (http://pt.uclfantasy.uefa.com/). Quem quiser juntar-se é só inserir o código:
55509-10611 
 Boa sorte!

02/09/2011

Antena 3 / 10 anos - 1ª história

Já posso dizer que trabalho há 10 anos na Antena 3. É verdade. 10 anos feitos na rádio que me construiu enquanto ouvinte de música. Acho que posso ser honesto nesta questão e nem é "lambe botismo". Afinal fui ouvinte de outras rádios como a Super FM, Energia ou XFM que me ensinaram a rir na rádio, a desafiar os limites e a explorar novos caminhos.

Mas, como prometido, os 10 anos da 3 servem de propósito para 10 histórias que tive na rádio.

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Comecei a trabalhar na 3 em Setembro de 2001. Provavelmente o primeiro episódio que me lembro da rádio é passado 11 dias estar a caminho da rádio na A1 e receber uma chamada da minha mulher a perguntar-me se estava em frente a uma televisão pois um avião tinha ido contra uma das Torres Gêmeas em Nova Iorque. Mal cheguei às Amoreiras fui a correr para a frente da televisão, onde toda a gente estava...

Estava um ambiente estranho para quem testemunhava um dos episódios mais chocantes da história recente do Mundo moderno.

Numa altura em que não existia Facebook, nem Twitter, enviei um email a um músico que estava a viver em Nova Iorque a perguntar-lhe se estava tudo ok consigo e passado uns dias recebi o seu relato de perda pessoal.

Esta é a primeira grande memória que tenho do meu trabalho na 3 apesar de não ser de trabalho sinto que é merecedora de referências.

A próxima história será relacionada com o ano de 2002 e os festivais desse ano.


31/08/2011

Buraka Som Sistema regressam com Komba

Já está apresentado o alinhamento (tracklist) e a capa (cover) do novo álbum de BSS. O colectivo de J-Wow, Riot e Condutor fazem o lançamento no dia 24 de Outubro para Portugal e na semana seguinte para o resto do Mundo. Aqui ficam:


Alinhamento do álbum:
1. Eskeleto (feat Afrikan Boy)
2. Komba (feat Kaysha)
3. Voodoo Love (feat Sara Tavares & Terry Lynn)
4. Tira o Pé
5. (We Stay) Up All Night (feat Blaya & Roses Gabor)
6. Hipnotized
7. LOL & POP
8. Vem Curtir (feat Stereotyp)
9. Candonga
10. Hangover (BaBaBa)
11. Macumba (feat Mixhell)

Bónus Track
12. Burakaton (feat Bomba Estéreo)

A música We Stay Up All Night já foi apresentada ao vivo em Espanha (Sónar) e no Alive. Aqui fica o vídeo:




30/08/2011

Rentrée

Nos últimos tempos ando afastado da escrita e uma série de episódios recentes fazem-me pegar no teclado e olhar para as coisas de outra forma. A recente aventura na Antena 3 Dance fez-me ouvir novos artistas, novos produtores e deixar o tempo servir de juiz para muitas das músicas que andam no ar.

O tempo serve também para aproveitar e infelizmente não tenho tido muitas oportunidades para estar presente em muitos dos momentos que Portugal tem tido relacionado com a música eletrónica. Mas felizmente tenho a possibilidade de privar com músicos e conversar sobre música de uma forma relaxada.

Serve este post por isso para alinhar uma agenda para os próximos eventos e aqui fica:

9 de Setembro - Hard Ass Sessions c/ Toy Selectah, Munchi, J-Wow, Diamond Bass (Lux, Lisboa)
15 de Setembro - Nosaj Thing (Musicbox, Lisboa)
16 de Setembro - Cardopusher (Musicbox, Lisboa)
30 de Setembro - Koreless (Musicbox, Lisboa)
10 de Novembro - Buraka Som Sistema (Coliseu, Lisboa)
11 de Novembro - Jon Hopkins (Braga, Theatro Circo)
12 de Novembro - Fennesz, Alva Noto (Braga, Theatro Circo)
13 de Novembro - Murcof (Braga, Theatro Circo)
19 de Novembro - Buraka Som Sistema (Coliseu, Porto)

7 de Dezembro - Gilles Peterson (Musicbox, Lisboa)

Aceitam-se sugestões!

16/08/2011

10 Anos - Estória(s)

Daqui a uns dias assinalo 10 anos ao serviço da Antena 3. Um marco importante da minha vida adulta considerando que entrei com apenas 21 anos, depois de uns anos dedicados a vender discos e a trabalhar com artistas, ainda a fazer a faculdade e solteiro.

Muita coisa mudou. Muita mesmo. Por isso decidi escrever 10 estórias sobre o caminho até aqui. 10 momentos que me fizeram gostar cada vez mais da rádio, da música, das pessoas e de todos os momentos que aqui passei.

Só ainda não decidi a ordem pela qual vou contar estes episódios.




22/05/2011

Futebol

Sou cada vez mais fã do futebol inglês. E do Real Madrid. O campeonato da Liga Inglesa é muito equilibrado e cheio de equipas sem medo de perder. Sem medo de rematar à baliza, mesmo a 30 ou 40 metros de distancia. Mas os miudos ingleses devem crescer a treinar o pontapé canhão. Lembro-me sempre de um tal de Le Tissier que jogava no Southampton e disparava como ninguém. Nem falo no Beckham que era um dos meus jogadores fetiches com livres e remates de meio campo.

O Real Madrid é a equipa branca. Mourinho, Ronaldo, Carvalho e Pepe compõem a armada portuguesa à conquista do Mundo. E tem feito coisas fantásticas. Jogam bem. Marcam. Apenas não tem superado um tal de Messi.

Futebol é assim. Espetáculo!

08/04/2011

Kill All Blogs?

É uma pergunta que se mantém na minha cabeça há imenso tempo. Mato ou não este espaço?