25/06/2013

Estórias da Rádio #4: Vilar de Mouros

Aquele que foi o primeiro festival de música moderna em Portugal é para mim um poço de contradições. E vou explicar porquê.

Vilar de Mouros é a minha primeira lembrança de festivais quando em 1996 regressou e trouxe artistas como The Stone Roses, Young Gods ou Tindersticks. Eu, com 16 anos, rumei até à vila minhota na companhia da minha prima Carla para viver um momento único. Lembro-me como se fosse hoje da viagem de comboio, do peso da minha mochila enquanto se procurava um local para montar a tenda, da noite fantástica ao som dos Madredeus, da trip monstra dos Stone Roses, da chuva que se lembrou de cair e claro do estúdio da Antena 3 montado em cima das casas de banho onde faziam emissão o Álvaro Costa e o Henrique Amaro. Foram 3 dias fantásticos que me marcaram para sempre.



Em 2003 regresso ao festival e já integrado na equipa da 3 a tratar da produção e emissão. Esse ano a equipa era enorme e o plano incluía as manhãs da rádio que na altura tinham o José Carlos Malato, Ana Lamy e a Ana Galvão. E a malta da noite (António Freitas e o Nuno Calado) faziam a dobradinha com a presença na Sic Radical.  O cartaz desse ano era estranho. Vá, muito estranho. Pois juntava Guano Apes e Public Enemy, HIM e Tricky, Rufus Wainwright e Tomahawk. Bizarro.



Ainda por cima o festival começou "torto" com o momento Guano Apes que já contei anteriormente aqui. Mas cedo recompôs-se com a presença de Planet Hemp, uma das minhas bandas brasileiras favoritas de sempre, que na figura do B Negão, mostrou como se pode misturar atitude com simpatia. Numa longa conversa que tivemos falamos sobre o hip hop e eles disseram que iam ficar pelo festival até ao último dia para puderem ver Public Enemy ao vivo, e eu que já tinha agendado uma conversa com Chuck D, propus logo apresenta-los ao homem. Negócio fechado! 2º dia estava a começar em força e tinha ido ver os concertos de Grace e Toranja no palco Quinta dos Portugueses quando recebo uma chamada para ir entrevistar o Rufus Wainwright.

E este torna-se o momento. A caminho do estúdio (era uma tenda) da 3 enfio o pé num buraco bastante fundo e pumba! Dores e mais dores. Não me conseguia levantar, nem pôr o pé no chão, vem os bombeiros buscar-me e sou levado para o Hospital de Viana do Castelo. Ligamento quebrado, pé engessado.

3º dia é clássico. Pé no ar e momentos únicos. Tricky já o tinha visto no Coliseu e nada podia superar aquele concerto mas mesmo assim foi cool. Tomahawk não é o projeto que mais gosto de Mike Patton mas ele é um animal de palco. Mas nada me preparava para os Public Enemy. Muita história ligada à música negra e claro ao hip hop. E um líder carismático como Chuck D que depois de semanas a trocarmos emails se disponibilizou para ir até ao estúdio da 3, pois estava de pé partido, para uma conversa. E mais do que uma entrevista tivemos a conversar. Aprendi muito sobre o movimento com ele e fiquei com a certeza que iria guardar aqueles momentos para sempre. E assim foi.









15/02/2013

Web 2000 em português

Desde os princípios dos tempos que a passagem de 99 para 2000 fez com que escritores, cineastas, cantores e outros se sentissem inspirados para escrever e fantasiar. Era uma visão distante e romântica do que seria o Mundo no ano dos três zeros.

Eu fui um dos iluminados que pensei e sonhei. Nessa altura e tendo como exemplos o IMDB e o All Music Guide, pensei que seria importante criar um site dedicado à música portuguesa.

A ideia era criar uma base de dados pública para todas as obras editadas em Portugal. Sem fronteiras e com o máximo de funcionalidades. Aproveitar as ligações que a Web 1.0 já demonstrava e que o futuro viria a trazer.

Quem entrasse na página à procura de Jafumega, teria logo todas as associações que os músicos tiveram no futuro, assim como sugestões, escuta, imagens, capas, tracklists e tudo o que muita vez vem associado a uma gravação. Imagine-se saber quem gravou o quê, onde, quando.

Seria uma compilação exaustiva para reunir o que se estava a fazer, já se tinha feito e o que o futuro traria.

Comecei a desenvolver a base de dados com um bom amigo (Manuel) que me foi colocando cada vez mais "problemas" e soluções, dúvidas e inquietações. Eram muitas variáveis e na altura poucas certezas. Comecei também a falar com editoras para saber se nos abririam as portas dos catálogos. Comecei a falar com músicos para mostrar o projeto. Comecei a recrutar quem estaria disposto a inserir dados.

Enquanto tentava alinhar tudo, surgiu em 2003 a iTunes Store. E pensei que seria a abertura completa e final. E devido a muitos factores, que um dia posso discutir, decidi deixar cair este projeto.

Hoje, 10 anos depois, e depois de uma nova leitura do livro A Cauda Longe, do Chris Anderson, vejo que algo do género não existe e que continua a ser importante. Mas louvo a entrega de páginas como A Trompa e outros que olham para a música nacional e lhe dedicam um tempo e espaço.

Quem sabe um dia...

12/02/2013

Shake It

Nos últimos tempos os fenómenos virais de uma música tem tido movimentos diferentes. Se existem cada vez mais, parece que o impacto é cada vez menor. Mas de tempos a tempos aparece algo que muda tudo. Assim é o Harlem Shake. Para quem não conhece este é um tema original do DJ e produtor Baauer (há quem diga que tem costela lusa) editou há uns meses e que se tornou num êxito na net. Mas o que surgiu daí é que ninguém podia prever. Juntou-se um nevão incrível nos EUA, 30 segundos do Shake e a coisa ganhou vida própria. Tipo monstro. No momento em que escrevo este post existem mais de 15.000 referências no YouTube ao Harlem Shake. Aqui fica uma compilação de alguns dos melhores momentos. Como nota de rodapé, Portugal anda atento e existe alguns exemplos do Shake na tuga. Aqui ficam do CC e da Monster Jinx.